quarta-feira, 10 junho , 2026

Coreia do Sul arrisca envio de petróleo em meio à crise energética na Ásia

A Coreia do Sul decidiu manter o envio de petróleo por rotas ligadas ao Estreito de Hormuz, mesmo diante do agravamento da crise energética na Ásia. O cenário é consequência do conflito no Oriente Médio, que já dura seis semanas e compromete parte relevante do abastecimento global.

A região asiática é a mais afetada, já que recebe cerca de 90% do petróleo e 83% do gás natural liquefeito (GNL) que passam pelo estreito — rota considerada estratégica para o comércio mundial de energia.

Fechamento do estreito pressiona mercado global

O Irã restringiu o tráfego marítimo aliado no Estreito de Hormuz no início de março, após ataques dos Estados Unidos e de Israel atingirem instalações militares e nucleares no país.

Com isso, aproximadamente 20% da oferta global de petróleo foi retirada do mercado, provocando forte alta nos preços e pressionando economias dependentes de importação de energia, especialmente na Ásia.

Coreia do Sul adota medidas emergenciais

Diante do cenário, o presidente sul-coreano Lee Jae Myung pediu à população que economize combustível e classificou a situação como uma das mais graves ameaças energéticas das últimas décadas.

O governo implementou medidas como:

  • Rodízio obrigatório de veículos no setor público
  • Avaliação de restrições para carros particulares
  • Planejamento de rotas alternativas de transporte marítimo

Mesmo com os riscos, Seul optou por continuar importando petróleo do Oriente Médio para evitar desabastecimento.

Países asiáticos recorrem a reservas e carvão

Outros países da região também adotaram medidas emergenciais:

  • Japão: liberou cerca de 80 milhões de barris de reservas estratégicas
  • Filipinas: decretaram emergência energética nacional
  • Sudeste Asiático: ampliou o uso de trabalho remoto para reduzir consumo

Além disso, nações como Coreia do Sul, Tailândia e Bangladesh aumentaram a geração de energia a carvão para compensar a queda nas importações de GNL.

Impactos econômicos preocupam

O Banco Asiático de Desenvolvimento alertou que a crise pode reduzir o crescimento econômico da região em até 1,3 ponto percentual entre 2026 e 2027.

Também há projeções de aumento da inflação em até 3,2 pontos percentuais.

Analistas indicam que o petróleo tipo Brent pode atingir:

  • US$ 150 por barril em cenário prolongado
  • Até US$ 200 em caso mais extremo

Na Europa, os efeitos já começam a aparecer. Países discutem racionamento e medidas emergenciais, enquanto o preço do diesel atinge níveis recordes desde 2022.

Tentativas de cessar-fogo fracassam

Esforços diplomáticos para reabrir o Estreito de Hormuz ainda não tiveram sucesso.

Uma proposta de cessar-fogo de 45 dias apresentada por Egito, Paquistão e Turquia foi rejeitada pelo Irã, que condiciona negociações ao fim dos ataques.

Enquanto isso, os Estados Unidos pressionam pela reabertura da rota, elevando o risco de novos desdobramentos no conflito.

Crise sem previsão de solução

Com parte significativa do fornecimento global de petróleo comprometida e sem avanço nas negociações, a crise energética na Ásia segue sem perspectiva de solução no curto prazo.

Especialistas apontam que, caso o bloqueio persista, os impactos podem se intensificar tanto na economia global quanto no custo de vida da população.

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